terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Medicina Bacharelado

Será que Medicina é o curso certo para mim?

Teste: já faz Medicina mas está em dúvida se escolheu o curso certo?

É a ciência que investiga a natureza e as causas das doenças humanas, procurando sua cura e prevenção. A saúde humana é o objeto de estudo do médico. Ele pesquisa e trata disfunções e moléstias, escolhendo os melhores procedimentos para preveni-las e combatê-las. Para isso, tem de estar sempre bem informado a respeito de novas drogas e equipamentos que proporcionem aos pacientes os diagnósticos e os tratamentos mais avançados e eficientes. Com um conhecimento aprofundado dos órgãos, sistemas e aparelhos do corpo humano, faz diagnósticos, pede exames, prescreve medicamentos e realiza cirurgias. Participa também de programas de prevenção e de planejamento da saúde coletiva. Há trabalho para o médico em hospitais, clínicas, postos de saúde e empresas. Grande parte atua também em consultório próprio. Pode trabalhar ainda como consultor em sites especializados, voltados para o exercício da Medicina.

Fique de Olho

Alguns cursos de Medicina estão sendo supervisionados pelo MEC por não atingirem resultados satisfatórios no Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Resultados Esperado e Observado (IDD). Nos casos em que a instituição de ensino superior acata as exigências previstas no Termo de Saneamento de Deficiências, o processo é arquivado. Quando ela cumpre apenas parcialmente as exigências do MEC, ela sofre redução do número de vagas. Quando não se dá o cumprimento das medidas, o curso pode ser desativado. As instituições, no entanto, podem entrar com recurso junto ao Conselho Nacional de Educação. Segundo o MEC, até agosto de 2010, as determinações eram as seguintes: Encerramento da oferta do curso: Unig (campus Nova Iguaçu), UniNilton Lins,

O mercado de trabalho

"Os formados encontram mais vagas na rede privada de hospitais. Na rede pública, a maior rotatividade está no atendimento de emergência", diz Lucio Pereira de Souza, coordenador do curso da UFRJ. O Sudeste concentra 55% dos profissionais e Norte e Nordeste têm falta de médicos. Enquanto São Paulo tem a maior concentração de profissionais - um médico para 239 habitantes -, em Roraima a proporção é de um para 10.306, média inferior à de nações africanas pouco desenvolvidas, segundo pesquisa do Conselho Federal de Medicina. Além de ter poucos médicos, o estado do Amazonas ainda registra que 88% deles estão em Manaus. "Por isso estamos desenvolvendo estratégias para que a progressão da carreira do médico via concurso público se dê como na magistratura. Ele é enviado para uma cidade onde os serviços dele são mais urgentes, e o profissional é transferido depois de acordo com essa necessidade", explica Desire Carlos Callegari, primeiro-secretário do Conselho Federal de Medicina. Os estados do Norte e do Nordeste têm oferecido mais vagas aos médicos no setor público, principalmente por intermédio do Programa Saúde da Família (PSF). Quem estiver disposto a abdicar da infraestrutura das grandes metrópoles pode encontrar vagas nas regiões mais afastadas. O aumento na proporção de idosos na população brasileira é um fator que promete aquecer as áreas de cardiologia e geriatria, sobretudo em cidades de médio e grande portes. O mercado também se abre para novas áreas, como genética e estudos sobre os mecanismos da memória. Há procura, ainda, por médicos do trabalho e alergistas, em regiões com grande concentração industrial, e também por médicos intensivistas (que trabalham em UTIs). Em todo o Brasil também há oportunidades para os graduados que querem se dedicar à formação de outros alunos de Medicina e à pesquisa - para essa última é requerida pós-graduação.

Salário inicial: R$ 2.860,00 (24 horas semanais em hospitais, clínicas, casas de saúde, laboratórios de pesquisas e análises clínicas; fonte: Sindicato dos Médicos de São Paulo).

O curso

O currículo é puxado, o período é integral e há seminários e pesquisas, além dos plantões em hospitais. Nos dois primeiros anos, o aluno aprende matérias básicas, como anatomia e patologia. Outras disciplinas são bases moleculares e celulares dos processos normais e alterados, fisiopatologia dos sinais e sintomas das doenças, entre outras. Boa parte das instituições de ensino oferece disciplinas práticas no início do curso para que o aluno vá se familiarizando com as atividades. Lidar com pacientes, só a partir do terceiro ano, nas disciplinas profissionalizantes e no treinamento em atendimento. Os dois anos de residência médica, depois de formado, são para o graduado se especializar.

Duração média: seis anos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Medicina Nuclear

O que é Medicina Nuclear?

A Medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza técnicas seguras e indolores para formar imagens do corpo e tratar doenças. A medicina nuclear é única por revelar dados sobre a anatomia e a função dos órgãos, ao contrário da radiologia, que tipicamente mostra apenas estrutura anatômica dos órgãos. É uma maneira de coletar informações de diagnóstico médico que, de outra forma, não estariam disponíveis, requereriam cirurgia ou necessitariam de exames de diagnóstico mais caros.

Os exames de medicina nuclear freqüentemente podem detectar precocemente anormalidades na função ou estrutura de um órgão no seu corpo. Esta detecção precoce possibilita que algumas enfermidades sejam tratadas nos estágios iniciais, quando existe uma melhor chance de prognóstico bem sucedido e recuperação do paciente.

Em que casos é indicado o exame de Medicina Nuclear?

Os exames de medicina nuclear são benéficos para estudar danos fisiológicos a seu coração, restrição do fluxo sangüíneo ao cérebro, além do funcionamento de outros órgãos como a tireóide, rins, fígado e pulmões. Também tem usos terapêuticos valiosos como o tratamento do hipertireoidismo e alívio da dor para certos tipos de câncer dos ossos.
Em geral, existe quase uma centena de diferentes exames de medicina nuclear hoje disponíveis, incluindo estudos cerebrais, diagnóstico e tratamento de tumores, avaliação das condições dos pulmões e coração, análise funcional dos rins e de todos os sistemas dos principais órgãos do corpo.

Como se Realiza um Exame de Medicina Nuclear?

Os exames de medicina nuclear são seguros e indolores. Uma pequena quantidade de material radioativo é absorvida pelo corpo via injeção, oral ou inalação. Estas substâncias radioativas são misturadas a um produto farmacêutico especializado que tem como alvo os órgãos, ossos ou tecidos específicos de seu corpo. A quantidade de material radioativo usado é medida especificamente para garantir os resultados mais precisos dos exames, limitando, ao mesmo tempo, a quantidade de exposição à radiação.

Após dado o material radioativo, uma câmera especial é utilizada para tirar fotografias de seu corpo. A câmera (normalmente chamada de gama-câmara, ou um equipamento ainda mais sofisticado chamado de PET Scanner) possui detectores especiais que podem captam a imagem dos materiais radioativos localizados dentro de seu corpo. A imagem, gravada em filme ou em um computador, é, então, avaliada por seu médico.

O que é Medicina Ortomolecular?

Imagine duas folhagens, cada uma num vaso. Num deles você simplesmente colocou terra, plantou a folhagem, regou de vez em quando e deixou o resto por conta do acaso. No outro você juntou nutrientes à terra, fez regas periódicas, eliminou pragas e ervas daninhas, protegeu a planta do vento e do excesso de sol.

Qual das folhagens teve melhores condições para se desenvolver?Obviamente, a do segundo vaso.

Pois assim age a Medicina Ortomolecular. Nosso organismo é formado por substâncias químicas que interagem o tempo todo, cumprindo inúmeras funções para a manutenção da saúde: reparam células, facilitam o funcionamento dos órgãos etc. Utilizando complementos de vitaminas, minerais, ervas e outras substâncias benéficas, a Medicina Ortomolecular é uma importante aliada de nosso organismo na luta contra doenças e agentes agressores.

Esse conjunto de substâncias químicas naturais, administrado de forma controlada e adequado às necessidades de cada pessoa, é o grande arsenal de que nossa equipe lança mão para auxiliar as pessoas – e talvez possa ajudar você!

Depois de realizados alguns exames é feita uma minuciosa avaliação de cada paciente, onde constatamos o nível de desgaste do organismo e o grau de carência de elementos químicos essenciais. A partir desses dados, caso seja necessário, é estabelecido um programa de suplementação com substâncias naturais para restituir o equilíbrio orgânico.
Ter saúde não é o mesmo que não estar doente. Ser saudável inclui também:
▪ vitalidade, disposição e um cérebro ágil, capaz de responder aos desafios do dia-a-dia;
▪ capacidade máxima de memória;
▪ um sono reparador, que permita ao organismo recuperar-se do desgaste cotidiano;
▪ um sistema digestivo em ótimo estado, capaz de absorver os nutrientes e eliminar as toxinas presentes nos alimentos;
▪ plena capacidade de resposta não apenas a agentes agressores do corpo – sejam eles físicos (como radiações ionizantes), biológicos (como bactérias, fungos e vírus) e químicos (como metais pesados ou poluentes presentes no ar, água e alimentos) –, mas até a atitudes mentais negativas e pensamentos “tóxicos”.

É óbvio que não basta ingerir algumas substâncias para atingir esse estado de equilíbrio. Muitas vezes também é preciso mudar hábitos de vida. Eis algumas sugestões:

▪ abandonar o sedentarismo e praticar atividade física adequada;
▪ lembrar-se de beber água diariamente na quantidade apropriada;
▪ dizer “não” a substâncias sabidamente nocivas; e ▪ adotar atitudes otimistas, focando a mente em pensamentos positivos.

Percebemos com clareza que é mais fácil adotar hábitos saudáveis se corrigimos certas carências orgânicas – e é uma via de duas mãos, porque adotar hábitos saudáveis nos leva também a corrigir deficiências nutricionais. Em outras palavras, instala-se um círculo virtuoso: funcionando melhor, mente e corpo facilitam a adoção de hábitos de vida saudáveis, o que conduz necessariamente a uma melhora no funcionamento da mente e do corpo.

A expressão "Medicina Ortomolecular" foi criada e consagrada pelo bioquímico americano Linus Pauling (1901-1994), laureado com o Prêmio Nobel de Química em 1954 e com o Nobel da Paz em 1962. O objetivo da Medicina Ortomolecular é a correção das carências nutricionais, equilibrando a bioquímica do organismo e prevenindo o aparecimento de muitas doenças. Além disso, ela também complementa e otimiza qualquer tratamento indicado pela medicina convencional.

A Medicina Ortomolecular é, antes de tudo, uma "medicina da saúde". Muito antes de uma doença se tornar perceptível através dos sintomas já existe uma disfunção celular, um desequilíbrio bioquímico, que a ingestão de micronutrientes busca compensar, devolvendo a saúde do organismo.

● Quem se beneficia da Medicina Ortomolecular?

Todas as pessoas que desejam manter-se saudáveis podem se beneficiar da Medicina Ortomolecular – em especial quem apresenta sintomas de desgaste orgânico não associados a alguma doença específica. Os sintomas mais comuns do desgaste são os seguintes:

▪ falta de motivação;
▪ perda de memória;
▪ dificuldades sexuais;
▪ sono não-reparador;
▪ infecções repetitivas; e
▪ sinais e sintomas de estresse.

Além de utilizar a Medicina Ortomolecular para aprimorar a performance, muitos atletas e freqüentadores de academias de ginástica encontram nela uma alternativa ao consumo indiscriminado de aditivos alimentares que, como se sabe, podem "detonar" o organismo.

Embora nenhum complexo de micronutrientes possa substituir um estilo de vida saudável e equilibrado, é inegável a contribuição da Medicina Ortomolecular no combate aos chamados radicais livres. Em excesso, esses radicais – fruto de alimentação inadequada, fumo, álcool, exposição demasiada ao sol, poluição, metais de transição e tóxicos – vencem a defesa celular e provocam chamado estresse oxidativo, danificando e tornando inoperantes milhões de células.

Finalmente, a Medicina Ortomolecular também visa retardar o envelhecimento. O uso orientado de substâncias antioxidantes fortalece as defesas imunológicas, melhora a saúde das células e ativa as funções orgânicas que se desgastam com o tempo.

Veja video sobre Anti-Envelhecimento:

● Medicina Ortomolecular e Radicais Livres
Se você cortar uma fruta, digamos uma maçã, e colocar em cima da pia da cozinha, em pouco tempo ela ficará muito escura. Ela fica dessa cor devido a um processo de oxidação, os radicais livres do ar agem na fruta e ela simplesmente estraga. O mesmo acontece com nosso organismo, com a diferença na origem desses radicais, que podem ser gerados por fatores como a poluição, contaminantes químicos, metais pesados, radiações e ressonâncias, microorganismos como fungos, bactérias e vírus, tabaco, álcool, o tipo de alimento que ingerimos e praticamente todas as doenças.

Os radicais livres são moléculas que tem um número ímpar de elétrons em sua última camada, o que a torna bastante instável. Essa molécula precisa desse elétron novamente, obtendo em geral de seu vizinho mais próximo.
Agora é seu vizinho que precisa “furtar” o elétron de alguma outra molécula. Esse processo evolui em progressão, lembrando um engavetamento de carros, e é chamado de cascata oxidativa. Já a carga total de radicais livres é chamada de estresse oxidativo.
E as substâncias que fornecem esse elétron que está faltando, devolvendo a situação à normalidade, são em geral vitaminas chamadas genericamente de antioxidantes.

Os radicais livres causam lesões tanto nas células quando nos genes. Muitos consideram que o acúmulo dessas lesões ao longo da vida favorece a manifestação de doenças relacionadas ao envelhecimento. A idéia é inibir a ação dos radicais livres, tanto dificultando sua formação como corrigindo a situação existente com antioxidantes, para retardar seus danos e com isso dificultar o aparecimento de doenças.

● O que provoca o aparecimento dos radicais livres?

Poluição, excesso de radiação solar, uma dieta nutricionalmente desbalanceada, sedentarismo e estresse são alguns fatores que estimulam a formação de radicais livres. Também favorecem a formação de radicais livres a ingestão de frutas e verduras com agrotóxicos, o consumo excessivo de sal, açúcar e cereais refinados, a utilização de aditivos alimentares e a ênfase em alimentos cozidos, em detrimento de alimentos crus.

● O organismo não consegue enfrentar sozinho essas mudanças?

Nosso organismo possui um extraordinário mecanismo de compensação e reequilíbrio para combater os radicais livres. A eficiência desse mecanismo, no entanto, diminui à medida que envelhecemos e na presença de doenças.

É exatamente nesse momento, como importante aliada da alimentação equilibrada e da prática de atividade física no combate aos radicais livres, que lançamos mão da Medicina Ortomolecular. O uso orientado de substâncias antioxidantes fortalece as defesas imunológicas, melhora a saúde das células e reativa as funções orgânicas.

● O tratamento da Medicina Ortomolecular é sempre de longo prazo?

Alguns efeitos benéficos do tratamento ortomolecular, como o aumento da disposição, do ânimo e da libido, bem como a melhora do sono e da performance física, aparecem logo nas primeiras semanas. Mas cada organismo tem uma velocidade diferente de resposta e por isso varia também o período de suplementação nutricional. Também influem nesse prazo a determinação da pessoa em mudar seus hábitos e atitudes, praticando atividade física, melhorando a qualidade da alimentação, parando de fumar etc.

● Qual a importância da alimentação na produção de radicais livres?

Nossos antepassados tinham uma alimentação muito diferente da nossa. Para ilustrar essa diferença basta lembrar que durante 2,5 milhões de anos a humanidade ingeriu apenas alimentos crus – eles só passaram a ser cozidos, assados ou fritos nos últimos 500 mil anos. E atualmente, pelo menos nas sociedades ditas desenvolvidas, é raro alguém optar por alimentos crus, do café da manhã ao jantar.

Esse fato tem prós e contras. Se graças ao calor do fogo podemos saborear, por exemplo, feijão, lentilha ou ervilhas secas – que nosso organismo não digere se estiverem crus –, por outro lado o excesso de cozimento gera perdas nutricionais.

O excesso de calor destrói 40% das vitaminas A e D presentes nos alimentos, cerca de 60% da vitamina E, 80% do ácido fólico e da vitamina B1, e 100% da vitamina C. Já o refino faz com que os cereais percam de 60% a 80% de seu valor nutritivo e até 90% das fibras.

Outro fator que gera desequilíbrio na alimentação humana é o consumo excessivo de sal e açúcar branco, sem falar na adição de substâncias químicas aos alimentos – os chamados aditivos alimentares.

Analisemos o exemplo do açúcar. Durante milênios nossos antepassados consumiram uma média diária de 8 g de frutose (açúcar presente nas frutas e no mel) e 300 g de glicose (cuja principal fonte são alimentos ricos em amido), e o organismo humano se acostumou a processar essas quantidades.

Quando surgiu o açúcar branco ou refinado houve uma mudança brusca. Esse tipo de açúcar sobrecarrega o organismo com 10 vezes mais frutose do que ele está habituado a processar e o resultado é um sério desequilíbrio na proporção dos açúcares que ingerimos – e um importante estímulo à formação de radicais livres.

● Para tomar suplementos, vitaminas e minerais é preciso orientação médica?

A administração de vitaminas e sais minerais pode ser um valioso instrumento terapêutico, mas necessita de orientação médica porque envolve riscos.

Eis alguns exemplos:

▪ Ingerir vitamina E todos os dias, por um longo período de tempo, pode inibir as defesas orgânicas encarregadas de eliminar radicais livres. Outro detalhe: a vitamina E deve ser ingerida sob a forma de Alfa-Tocoferol (com “ol” no final). Se estiver sob a forma de Alfa-Tocoferil (com “il” no final), só se deve fazer uso dela com orientação médica, porque é prejudicial à saúde.

▪ O Beta-Caroteno, um precursor da vitamina A, não tem contra-indicações mesmo se ingerido em doses relativamente altas. A vitamina A, por outro lado, se tomada durante muito de tempo, pode provocar intoxicação. Infelizmente, alguns polivitamínicos “milagrosos” misturam Beta-Caroteno e vitamina A em doses que podem causar intoxicação em médio e longo prazo.

▪ A ingestão de ferro só se justifica se a pessoa tiver certos tipos de anemia, o que só pode ser verificado por exame clínico e laboratorial. O ferro é um potente oxidante, facilitando a formação de radicais livres. Exatamente o inverso do que se deseja com a abordagem ortomolecular

▪ Embora o complexo B não envolva grandes complicações, vitamina B12 em excesso aumenta o apetite e engorda. Quem sofre de gota e/ou cálculo renal não deve exagerar na ingestão de vitamina C, mesmo que ela pareça ser realmente benéfica para aumentar a resistência do organismo. A vitamina C também pode alterar o resultado de alguns exames de laboratório, eventualmente comprometendo o diagnóstico médico.

sábado, 14 de agosto de 2010

FORMA(AO DE PESSOAL MÉDICO EM MEDICINA GERAL COMUNITÁRIA

Dos dez programas visitados, sete estáo ligados a Universidades Federais,
e um a uma Faculdade de Medicina (a Faculdade de Medicina de Petrópolis).
O Instituto Nacional de Assisténcia Médica e Previdéncia Social do Ministério
de Previdéncia e A~ao Social (MPAS), contribui para 7 dos programas
com bolsas de estudo para médicos residentes, recursos humanos e oportunidade
de treinamento em seus serviços. O Grupo Hospitalar Conceiáao,
de que fazem parte o Hospital Nossa Senhora da Conceiçáo e mais tres
outros hospitais, como empresa pública, está ligado ao MPAS, do qual
depende diretamente, sem intermédio do INAMPS. Secretarias Estaduais
de Saúde participam diretamente mediante cessáo de Centros de Saúde e
recursos materiais e humanos em 9 dos 10 Programas, e indiretamente, via
Prefeituras locais, no Programa da Associaçáo Hospital de Cotía. Cinco dos
Programas mantém convénios ou outra forma de acordo com Prefeituras
locais.
Qualquer programa de Residéncia Médica ligado, mediante processo
competente, á CNRM do Ministério de Educaçáo e Cultura, credenciado
por essa Comissáo ou em processo de credenciamento, pode abrir concurso
uma ou duas vezes ao ano, para seleaáo dos candidatos ao Programa de
Residéncia em Medicina Geral Comunitária. Quando a Universidade ou
outra Instituiaáo matém programas de Residéncia em mais de um setor ou
especialidade, a prova escrita do concurso é comum para os candidatos de
todos os setores.
Os critérios dos concursos para as Residéncias de Medicina Geral Comunitária,
embora constem basicamente de uma prova escrita constituida de
testes de múltipla escolha sobre conhecimentos gerais em medicina, e uma
entrevista, apresentam pequenas variaçóes que exigem estudo e uniformizaçáo
mediante consenso dos coordenadores dos programas.
Como em algumas Residéncias, a exemplo da Universidade Federal de
Pernambuco e da Unidade Sanitária Murialdo/Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há concursos diferentes para os candidatos as bolsas
da Universidade ou do INAMPS, a possibilidade de variaáao é airida maior.
Na Universidade Federal do Piauí há uma prova de conhecimento de
língua inglesa e na Universidade Federal de Pernambuco, de língua inglesa,
francesa ou alema. Os demais programas nao exigem prova de conhecimento
de língua estrangeira. Cerca de metade dos Programas de Residéncia
exige exame de currículo em seus concursos de seleçáo. Os programas de
Residnricia sediados em Porto Alegre adotarm como prova escrita 400 testes
de múltipla escolha elaborados pela Associaçáio Médica do Rio Grande do
Sul (AMRIGS). Os clemais programas no Brasil aplicam 100 testes de múltipla
escolha, 20 sobre cada um dos setores de clínica médica, pediatria,
toco-ginecologia, cirurgia geral e medicina preventiva e social, com exceáao
de Petrópolis, onde sáo aplicados apenas 50 testes nesses mesmos setores.
A nota mínima nessa prova, que capacita o candidato a ser convocado para
a entrevista, é, em geral, 5. E 4 no Programa de Residéncia da Associaçáo
Hospital de Cotía e da Universidade Federal do Espírito Santo e 6 na do
INAMPS/Universidade-Federal do Rio Grande do Norte.
Dois Programas - o da Associaçáo Hospital de Cotía e o da Universidade
Federal do Espírito Santo-exigem também para os que tiverem obtido
nota de aprovaaáo na prova de testes de múltipla escolha, comum para
todos os setores de Residéncia Médica, uma segunda prova escrita, constituindo
em disserta;íio sobre tema relacionado com Medicina Geral Comunitária.
O resultado dessa dissertaçáo será julgado juntamente com o do
currículo e o da entrevista.
Dá-se énfase especial aos resultados das entrevistas, muito embora, por
questóes regulamentares, seja, em geral, conferido peso 2 a prova de múltipla
escolha e peso 1 a da entrevista isolada, ou entrevista, currículo e
dissertaaáo.
A composiçáo das comissóes de entrevista varia bastante, podendo consistir
de 3 a 9 integrantes.
Esta descriçáo detalhada dos critérios de seleçáo de candidatos ora vigentes
nos Programas nacionais de Residéncia em Medicina Geral Comunitária
indica a necessidade de estudo para uniformizaçáo dos critérios de seleçáo,
visando a ado~áo do melhor.
Os Programas de Residéncia Médica, em qualquer regiáo em que sejam
válidos, devem ser credenciados pela CNRM, processo esse que obedece a
normas definidas. Os certificados de aprovaaáo nos Cursos de Residencia
devem também ser reconhecidos pela CNRM, sem o que nao seráo oficialmente
válidos. Como essas exigencias sáo relaiivamente recentes, os certificados
provisórios emitidos pelas instituiçóes, universitárias ou náo, que
mantem Programas de Residéncia continuarn válidos.
A classe médica é ainda muito mal informada a respeito do que constitui
a prática e a docéncia da Medicina Geral Comunitária. Entre os médicos
das instituioóes de ensino superior e outras insi:ituioóes que mantém Programas de Residéncia em Medicina Geral Comunitária a reaaáo é variável.
Muitos sáo apáticos e outros céticos. Alguns acham inviável este "pretenso"
tipo de profissional. Por outro lado há, entre destacados professores, médicos
bem sucedidos na prática de assisténcia terciária-como a psiquiatria,
neurologia, neuroeletroencefalografia-e outros que tém grandes esperanças
no novo rumo da assisténcia á saúde traçado pelos adeptos e doutrinadores
da Medicina Geral Comunitária e da Medicina Preventiva e Social.
Lamentam que o mercado de trabalho esteja ainda fechado, institucionalmente,
para estes novos profissionais "especializados no geral". Aliás, a
situaçao náo poderia ser diferente, táo novo é este movimento da Medicina
Geral Comunitária entre nós.
Entre preceptores de Medicina Geral Comunitária nota-se, ás vezes, desanimo
e desalento, agravados pelas consideráveis dificuldades que se apresentam,
atualmente, ao médico com poucos anos de graduado, para nao
dizer de formado-pois muitos, talvez, náo estejam ainda devidamente
formados, mas ainda "deformados" pelas experiencias durante o curso de
graduaçáo.
Como náo sáo numerosos os egressos de Programas de Medicina Geral
Comunitária no Brasil, a amostra obtida durante as entrevistas pode ser
julgada representativa, principalmente considerando que as perguntas nao
eram dirigidas apenas aos individuos entrevistados mas a categoria que
representavam. Em todos os casos notou-se grande insatisfaiáo com a situaaáo
restrita do mercado de trabalho, embora com a nota ponderada ouvida
no Projeto Murialdo, de Porto Alegre, RS, de que essa restriçáo é ainda
menor para o médico geral comunitário do que para os outros especialistas,
tanto na Secretaria Estadual de Saúde quanto nos hospitais de serviço mantidos
sob a forma de empresa pública-no caso, os da Associaçio de Hospitais
Conceiçáo.
No Nordeste a situaçáo é mais grave porque, enquanto o INAMPS mantém
suas portas fechadas para o médico geral que terá de concorrer, com
desvantagem, a cargos em outras especialidades, as Secretarias Estaduais
de Saúde, náo abrindo concurso para acesso a escassas vagas de médico,
valem-se apenas de indicaçóes de caráter político-partidário. Quem indica
o candidato vale mais que o candidato no critério do preenchimento de
vagas. As vezes, criam-se vagas conforme a forca de quem indica.
Quanto aos cursos em si, há as vezes queixas pelas deficiencias de supervisáo,
ou dos servicos ou do treinamento em atividades comunitárias.
Programas de atualizaçáo para médicos gerais existem, apenas, no Rio
Grande do Sul, por iniciativa do Departamento de Medicina Geral Comunitária
e do Setor de Educaçao Contínua da Associaçáo Médica do Rio
Grande do Sul. Os cursos promovidos tém contado com a colaboraaáo de
integrantes dos Programas de Residéncia Geral Comunitária de Porto Alegre.
As demais Sociedades (ou Associaçóes) Estaduais de Medicina do país
promovem também programas de atualizaaáo para médicos das capitais e do interior, sem, no entanto, uma orientagco definida da Medicina Geral
Comunitária ou de Família. Pelo contrário, muitas vezes sáo abordados
tópicos de natureza bem especializada. Seria entáo uma "atualizaçáo" no
que há de mais moderno. Um exercício intelectual dos que térn oportunidade
de dominar ;melhor os "avanços" da Medicina. No Brasil nao existe
ainda Departamento ou Disciplina de Medicina Geral Comunitária nos
Cursos de Graduac;áo em Medicina.
Até 1982 concluíram Residéncia em Medicina Geral Comunitária (todos
os cursos de 2 anos, de duraaáo) 174 médicos. Mais contribuíram para este
total dos egressos (91%) os Programas da Universidade Federal de Pernambuco
(28), da Unildade Sanitária de Murialdo (50) e do Hospital Nossa
Senhora da Conceiçáo, em Porto Alegre (80). Os dois primeiros, por existirem
há mais tempo, e os últimos devido a um período em que, por cancelamento
de outros Programas de Residéncia no Grupo Hospitalar Conceiçáo,
houve alto núrnmero de vagas disponíveis para Medicina Geral Comunitária,
entáo chamada de Medicina Geral.
Desses 174 médicos egressos até 1982, sabe-se que cerca de 154 estáo
empregados (88,55%1). A respeito dos restantes nao há informaáao.

PRATICA DE MEDICINA FAMILIAR OU GERAL COMUNITÁRIA

Apenas em Natal, no Rio Grande do Norte, e em Porto Alegre, no Rio
Grande do Sul, existem unidades de Prática de Medicina Familiar independentes
de centros de formaçáo de recursos primários e de Programas de
Residéncia em Medicina Geral Comunitária.
Por decisáo do Sr. Secretário Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte,
todos os Centros de Saúde da cidade de Natal seráo transformados, dentro
de dois anos, em unidades de Medicina Familiar. Trés deles já o foram.
Tive oportunidade de visitar um-o Centro (le Saúde de Brasília Teimosaque
é o maior dos trés. Conta com uma equipe de 5 médicos que trabalham
em regime de 40 horas semanais, ganhando o duplo dos demais médicos
dos Centros de Saúde de atendimento tradicional, os quais trabalham em
regime de 20 horas semanais. Utilizam fichas de família. Tanto a clientela,
constituida por todas as familias residentes no bairro de Brasília Teimosa,
como os profissionriais deste Centro mostraram-se bastante satisfeitos com
a nova modalidade de assisténcia aos núcleos familiares. Os médicos que
lá atuam náo tiveram ainda nenhum treinamento formal em Medicina Geral
Comunitária, exceto a participaaáo num Semiinário sobre Medicina Familiar
promovido pela Superintendéncia Regional do INAMPS, de uma semana
de duraaáo, coordenado pelo Dr. José Alves Pinheiro, coorclenador em
exercício da Residéncia de Medicina Geral Comunitária de Natal. O Dr.
Pinheiro fez Curso de Capacitaaáo Docente em Medicina Familiar na Cidade
do México.Em Porto Alegre, a Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Estado do
Rio Grande do Sul possibilita a criaçáo de unidades de Medicina Geral
Comunitária em Centros de Saúde. Trata-se da iniciativa individual, sem
teor oficial, de alguns de seus médicos egressos de Residéncia em Medicina
Geral Comunitária. Usam fichas de família ao lado de prontuários rotineiros
da SSMA.
Há também prática privada de Medicina Familiar, por parte de alguns
médicos, no exercício da medicina liberal, sem entretanto, o componente
comunitario.

ASPECTOS CONCEITUAIS RELATIVOS A MEDICINA DE FAMILIA NO BRASIL

As designaçóes medicina familiar, medicina geral, medicina geral comunitária
e medicina de assistincia primaria nao sáo muito usadas, porque a prática a
que correspondem náo está ainda difundida; sáo empregadas como sinonimos,
ou apresentam diferenças conceituais imprecisas.
A expressáo Medicina Familiar encontra ás vezes uma certa resistencia
de caráter ideológico, preconceitual. Seria u:ma medicina voltada para indivíduos
e núcleos familiares, exercida como medicina liberal, seni considerar
a comunidade como fator prioritário. Seria o modelo copiado dos Estados
Unidos da América do Norte. Outros, muito inclinados a considerar as express6es
como sinónimas, fazem a ressalva, no entanto, de que a Medicina
Familiar ou Geral Comunitária, de área urbana, ultrapassa a medicina de
Assisténcia Primária, abrangendo áreas de assisténcia secundária. Em alguns
programas há umra tentativa de distinçáo entre os vários termos:
Medicina Geral seria aquela caracterizada por assisténcia médica independente
de idade, sexo ou patologia dos pacientes, porém sem preocupaoóes
maiores com a saú.de da família e da comunidade a que pertenam..
A Medicina de Familia teria o mesmo enfoque da Medicina Geral quanto
ao individuo, mas considerá-lo-íajuntamente e em relaaáo com os integrantes
do seu núcleo familiar. Náo se ocuparia dos problemas da comunidade.
A Medicina Geral Comunitária teria uma visáo social mais ampla a respeito
de saúde e doença. Ocupar-se-ía igualmente de individuos, núcleos familiares
e comunidade. Seria uma denominaçao sinónima de Medicina Familiar
Comunitária.
A Medicina de Assistencia Primária seria aquela restrita aos cuidados básicos de saúde e tratamento em ambulatório das doenças mais prevalentes. Para
alguns estaria mais ligada a assisténcia materno-infantil.
A expressáo Medicina Geral Comunitária é, atualmente, a mais amplamente
aceita, tanto por preceptores como residentes e outros profissionais
interessados no assunto, para expressar a prática desenvolvida pelo médico
geral, generalista ou médico de família. Consiste ela numa prática médica
voltada para individuos, núcleos familiares e comunidade e que, independentemente
de idade, sexo ou patologia do paciente, propóe-se a prestar-lhe
uma assisténcia integral, contínua e personalizada, náo interrompida nem
mesmo quando necessário encaminhar o paciente a outros níveis de assistencia,
para confirmaaáo ou esclarecimento, diagnóstico e tratamento. Na
Medicina Geral Comunitária os esforços devem estender-se até a comunidade,
para interagir com a mesma, a fim de conhecer mais profundamente
suas carencias e necessidades e colaborar na soluçáo de seus problemas,
permitindo assim uma formaaáo social e humanista mais completa dos
profissionais de saúde e, em especial, do médico. A Medicina Geral Comunitária
é considerada também como a porta de entrada ao sistema de saúde,
sem com isto significar que seja um simples estágio de triagem, ponte de
passagem para outros profissionais mais competentes. Deve resolver pelo
menos 80 a 95% dos casos de demanda de assisténcia médica, variando
esses percentuais de acordo com as possibilidades de complementaaáo diagnóstica
(análises de laboratório e radiologia) e de internaçáo para tratamento
nos setores básicos de clínica médica, pediatria, ginecologia e obstetricia e
cirurgia ambulatória.
Na Medicina Geral Comunitária rompe-se a dicotomia entre Medicina
Preventiva e Curativa e os determinantes primordiais das doenças váo além
dos fatores biológicos e físico-químicos, graças á valorizaaáo de fatores
psicológiccos e sócio-económicos.
As razóes apresentadas para a existencia dos Programas de Residéncia
em Medicina Geral Comunitária sáo mais ou menos coincidentes e, em alguns
aspectos, complementares.
E opiniao unánime, em todos os Programas visitados, que os cursos de
graduaaáo em medicina estáo muito distorcidos, desviados de seu objetivo
de formar médicos gerais. Seus corpos docentes sáo constituidos por especialistas
que náo podem figurar como "modelos de identificaçáo" de médicos
gerais comunitários para os numerosos estudantes de graduaaáo. O mercado
de trabalho, por su vez, continua, através do INAMPS - que é, direta
ou indiretamente, o maior órgáo empregador de médicos - a privilegiar os
médicos especialistas em setores básicos ou em sub-especialidades de atendimento
terciário.
O fracionamento do saber médico impede uma visáo global do homem
em seu frágil equilibrio saúde-doença, subordinado a uma multiplicidade
de fatores de ordem psico-social, biológica, nutricional e climática. A Medicina
técnico-científica repartida em especialidades apresenta, apenas, umavisáo biológica e mecinica dos problemas de saúíde. Um programa de ensino
montado em disciplinas compartimentalizadas, transmitidas aos, alunos por
professores que se esforçam para estender seus conhecimentos cada vez
mais em sentido vertical, a fim de ascender em sua carreira e conquistar
posiçáo social respeitável,jamais poderia corresponder as reais necessidades
de, saúde de uma populaçáo com precários índices sanitários, principalmente
nas regióes empobrecidas do norte e nordeste do Brasil. Em contraposiáao,
a crescente incidencia de doenças crónicas e degenerativas e de
acidentes de tránsito, característica de países ricos, constitui um apelo a
racionalizaçáo da assisténcia á saúde, a fim de inanter progresso nos setores
da assisténcia secunclária e terciária.
As opinioes sao praticamente unanimes.deque o curso de graduaáao:em
Medicina deveria conservar seu caráter terminal, preparando profissionais
que, apenas formados, estariam prontos para exercer a profissáo. Mas admite-
se que isto nao está acontecendo, pelas diistorçóes acima apontadas. O
recém-graduado termina indeciso e inseguro, sentindo-se despreparado
para as responsabilidades profissionais.
Na opiniáo.de Borges-Coordenador do Programa de Residélencia em
Medicina Geral Comnunitária em Sáo Luís do-Maranháo-a Faculdade de
Medicina da Universidade Federal-daquele Estado talvez se afaste um pouco
desse quadro. Embora nao formando ainda o médico geral, tende a formar
3 tipos de profissionais: o "clínico-pediatra", o "clínico-pediatra-obstetra"
e o "cirurgiáo-obstetra-clínico".
Resumindo, os Programas de Residéncia ernm Medicina Geral Comunitária
devem continuar a existir e aumentar, em número e qualidade, pelas
seguintes razoes:
* Para formar futuros docentes e pesquisadores no Campo da Medicina Geral
Comunitária que possam contribuir para modificar os cursos de graduaçáo, restituindo-
lhes o caráter terminal, formando médicos gerais.
* Para manter servi,"os - Unidades de Medicina Geral Comunitária - que sirvam
desdejá ao treinamento de estudantes do 3" ao 6° ano de medicina, em programagces
de intensidade crescente.
* Para pressionar mudanças curriculares, nos cursos de graduaçáo emn medicina
e outros setores afins (enfermagem, odontologia, fisioterapia, nutriçao, servico social
e psicologia).
* Par-a contribuir ao exercício de uma nova prática da' medicina, menos comercializada
e mais humana, que veja um homem como umr todo e náo apenas órgáaos
e sistemas.
* Para criar.modelos vivos de médicos gerais comunitários que sirvam de estímulo
aos graduandos para optar pela Medicina Geral Comunitária.
* Para contribuir a :meta de Saúde para Todos no Ano 2.000, fixada pela Organizaáao
Mundial de Saúde, através de cuidados primários de saúde, definidos na
Conferéncia de Alma .Ata.
* Pela dificuldade de treinar estudantes de medicina e médicos recém-formadosem assisténcia primaria nas dependencias de Hospitais de Clínicas ou Universitários
voltados exclusivamente para assisténcia secundária e terciaria.
* Pela impossibilidade de formar, a curto prazo, nos atuais cursos de graduaçáo
em medicina, esse profissional de que as comunidades necessitam.
* Para treinamento de médicos que utilizem métodos clínicos, epidemiológicos,
administrativos e sociais com o fim de proporcionar cuidados personalizados, integrais
e contínuos a saúde física, mental e social de determinados indivíduos e
comunidades, permitindo que instituiçóes federais, estaduais e municipais de saúde
aproveitem esses modelos de assistencia.
* O treinamento pós-graduado desses profissionais, sob forma de Residencia,
parece o mais apropriado para o tipo de formaçáo teórica e prática de que necessitam.
Segundo o Artigo 1° do Decreto n° 80.281 de 05 de setembro de 1977 e o
Artigo 1" da Lei n° 6.932 de 07 dejulho de 1981 "Residéncia Médica" (em qualquer
setor) "constitui modalidade de ensino de pósgraduaaáo, destinada a médicos, sob
forma de curso de especializaçao, caracterizado por treinamento em serviço"... o
caráter de especializaçao conferido pelos Programas de Residéncia em Medicina
Geral Comunitária é decorrente dos próprios termos do Decreto n° 80.281 "que
regulamenta a Residencia Médica e cria a Comissáo Nacional de Residéncia Médica"
e da Lei n° 6.932 que "dispóe sobre as atividades do médico residente".
Dois dos Programas de Residéncia em Medicina Geral Comunitária, o
da Unidade Sanitária Murialdo, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul,
e o da Universidade Federal de Pernambuco, desenvolvido na cidade de
Vitória de Santo Antao, no interior do Estado, surgiram em janeiro de
1976, antes de Decreto n° 80.281 de 5/9/77 que regulamentava a instituiaáo
dos Programas de Residéncia Médica.
As Residéncias de Medicina Geral Comunitária implantadas antes de
1981 orientaram-se pelas normas definidas pela Resoluaáo n° 8/79, de 15/10/
1979 da CNRM, a qual abrangia, segundo seu artigo 90, programas de
denominaçóes diversas tais como: saúde pública, medicina comunitária,
saúde comunitária e outras, e que eram considerados como equivalentes
aos Programas de Residéncia de Medicina Preventiva e Social.
A partir de junho de 1981 passaram a reger-se, como os outros mais
recentes, pela Resoluçáo n° 07/81 de 12/06/1981, que define mais precisamente
o perfil do Médico Geral Comunitário.
Programas de Residéncia como o da Universidade Federal do Maranháo,
o da Universidade Federal de Pernambuco (Projeto Vitória) o da Faculdade
de Medicina de Petrópolis, o da Associaaáo Hospitalar de Cotía (Sáo Paulo)
e o da Unidade Sanitária Murialdo, da Secretaria de Saúde do Meio Ambiente
do Estado do Rio Grande do Sul, surgiram como parte de programas
multiprofissionais de saúde comunitária.
As decisóes para criaçáo das residencias de Medicina Geral Comunitária
emanaram da Diretoria da Faculdade de Medicina, de Centros de Ciencias
de Saúde de Universidades, ou da Secretaria Estadual de Saúde, ou de
Superintencias Regionais do Instituto Nacional de Assisténcia Médica e
54 / Educación médica y salud · Vol. 19, No. 1 (1985)
Previdéncia Social, cu ainda de uma Associaíiio Beneficente, como no caso
da Residéncia de Cotía, SP. Precederam semripre essas decis6es estudos e
demarches de grupos profissionais interessados em mudanças substanciais
no sistema de serviç:os de saúde e de formacáo de recursos humanos no
setor de saúde.
Embora seja fato conhecido que os objetivos declarados nem sempre sáo
alcançados, valem como metas permanentemente alvejadas. Vale a pena
transcrevé-los como foram formulados durante as entrevistas ou em material
entregue para compilaçao, porque revelarm a filosofia do pr6prio pro-
.grama.
Os objetivos definidos para as Residéncias da Universidade do rio Grande
do Norte e da Universidade Federal do Piauí refletem as atividades enumeradas
nos parágrafos 1°, 20 e 30 do Artigo 5° da Resoluçáo 07/81 da CNRM.
Para as demais transcreveremos abaixe textualmente o que foi obtido, identificando
a instituiçáo a que está ligado o Programa.
Convénio INAMPSlUniversidade Federal do Maranhño
1) Prática de Medicina Familiar.
2) Programacáo e Geréncia de Serviços de Saúde.
3) Atuaçáo em processos de participaçáo comuinitária.
Universidade Federal de Pernambuco (Projeto Vitória)
Objetivo Geral
1) 'Formaaáo de médicos gerais comunitarios, altravés de uma prática interdisciplinar
e interprofissional, de maneira que todos os técnicos do setor de saúde possam
atuar harmónica e sinergicamente.
Objetivos Específicos
1) Fornecer os instrumentos para a formaçao do Médico Geral.
2) Desenvolver conhecimentos e habilidades para o exercício da Medicina Integral.
3) Promover a integraçáo do médico em equipes multiprofissionais.
4) Desenvolver aptidóes para o planejamento, a organizaaáo e a administraçao
em serviços de saúde.
5) Valorizar o significado de fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais como
determinantes de saúde e doença.
6) Promover treinamento básico de metodologia de investigaçao científica.
7) Promover treinamento no uso de técnicas e iinstrumentos de prática social.
8) Promover o treirnamento em programas específicos de Saúde Pública e Medicina
Preventiva, através da atuajáo em atividades de vigilancia epidemiológica,
programas de vacinaçáo, inquéritos epidemiológicos e estudos especiais, registro
de dados estatísticos, orientaçao nutricional e educaaáo sanitária.
Unidade Sanitária Murialdo da Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente do
Estado do Rio Grande do Sul
1) Treinamento de médicos que utilizem métodos clínicos, epidemiológicos, administrativos
e sociais;
Medicina familiar no Brasil 1 55
2) Que proporcionem cuidados personalizados, integrais e contínuos á saúde
física, mental e social da populaaáo;
3) Que utilizem medidas de prevençáo primária, secundária e terciária dirigidas
a individuos, famílias e comunidade;
4) Que possam resolver cerca de 90% dos problemas de saúde da populaçáo e
encaminhar adequadamente os que ultrapassam seus limites de competencia.
Hospital Nossa Senhora da Conceiçao do Grupo Hospital Conceifao, do
Ministério da Saúde e Afao Social
1) Formaçáo de médicos gerais;
2) Desenvolvimento de pesquisas sobre unidades primárias de saúde;
3) Formaçáo de docentes na área de Medicina Geral Comunitária.
Universidade Federal de Pelotas
Capacitar docentes de Medicina Geral, bem como formar médicos capazes de
exercer uma medicina mais barata, mais eficiente, mais humana. Preparar médicos
aptos a servir no interior, devidamente treinados para ser "pau para toda obra" e
que se sintam mais satisfeitos com a sua missáo (10).
Convénio da Associaçfo Hospitalar de CotialINAMPS
Objetivo Geral:
Oferecer uma formaçáo integrada de cuidado médico individual e coletivo dentro
de um modelo de sistema de saúde hierarquizado.
Objetivos Específicos:
1) Capacitar o médico, dentro de uma abordagem bio-psico-social, para atender
aos programas de saúde materno-infantil e de adulto, e de vigilancia epidemiológica;
2) Capacitar o médico para atendimento das principais patologias clínico-cirúrgicas
em regime de urgéncia médica e de internaçáo;
3) Desenvolver no médico uma visáo crítica da organizaçáo de serviços de assisténcia;
Esses objetivos sáo completados por mais alguns outros destinados aos médicos
residentes do 20 ano:
4) Manter e aperfeiçoar as atividades ligadas á assisténcia primária e secundaria
e supervisionar essa assisténcia;
5) Habilitar o médico residente para o planejamento e administraçao da assisténcia
a nível primário;
6) Oferecer formaçáo básica no setor de Saúde Pública, mediante,curso ministrado
pelo DMPS da Santa Casa de Misericórdia de Sáo Paulo;
7) Desenvolver conhecimentos sobre metodologia científica através da realizaçáo
de investigaçóes no setor de saúde comunitária;
8) Participar das atividades de ensino e treinamento de recursos humanos.
Faculdade de Medicina de Petrópolis
Preparar médicos aptos a realizar prevençáo primária, secundária e terciária a
nível individual e de pequenas comunidades e de administrar pequenas unidades
de saúde.
Centro Médico da Universidade Federal do Espírito Santo
1) Integraçao docente-assistencial;
2) Assisténcia méclica primária e secundária contínua e completa a individuos e
suas famílias;
3) Assistencia a urn grupo demográfico delimiitado;
4) Colaboraçáo com o sistema de saúde;
5) Trabalho em equipe multidisciplinar em integraaáo multiprofissional;
6) Realizaçáo de pesquisa;
7) Estabelecimento de relaçóes do médico coni a comunidade.
A maioria dos Programas tem como ámbito de aaáo indivíduos, núcleos
familiares, grupos materno-infantís e comuriidade. Trés a quatro deles, no
entanto, náao estáo ainda aprofundando a assisténcia a núcleos familiares,
enquanto outros, embora destacando a assisténcia ao individuo e ao núcleo
familiar, ainda nao ressaltam devidamente os laços com a comunidade.
Consideram-se núcleos familiares o conjunto de individuos que, dizendose
da mesma família, habitam sob o mesmo teto e comem da mesma mesa,
independentemente de laços legais ou sanguíneos.

ASPECTOS METODOLÓGICOS

A realizaçao deste informe, incluindo a escolha dos Programas de Residencia
a serem visitados e o aviso das datas das visitas contou com o apoio
e a atuaçao direta da Secretaria Executiva da Comissao Nacional de Residéncia
Médica, do Ministério da Educaçáo e Cultura, e a coordenaçáo do Grupo
Assessor Principal do Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos
para Saúde no Brasil (Acordo MS/MEC/MPAS/OPAS).
Os onze programas escolhidos para visita podem ser reduzidos a dez, já
que o da Unidade Sanitária Murialdo e o do Hospital das Clínicas de Porto
Alegre apenas se distinguem por manterem concursos de seleçáo independentes.
O programa seguido pelos candidatos aprovados é mesmo: o da
Unidade Sanitária Murialdo.
As visitas duraram em média 1 dia e meio. Constaram de:
* Entrevistas com coordenadores e/ou supervisores dos Programas de Residéncia.
* Visita a alguns serviços onde os médicos residentes executam suas atividades
de treinamento em serviço.
* Entrevista com algumas autoridades nos setores de educaçáo e saúde (diretores
de Centros de Ciéncias de Saúde, Centro ou Faculdades de Medicina, diretores de
Hospitais de Clínicas, Superintendentes Regionais do Instituto Nacional de Assisténcia
Médica e Previdéncia Social) (INAMPS), etc.
* Entrevista com alguns egressos dos Programas de Residéncia em Medicina
Geral Comunitária.
* Visita a algumas áreas rurais ou urbanas assistidas pelos Programas.
* Entrevistas com médicos residentes.
As entrevistas com os coordenadores e/ou supervisores dos programas
de Residéncia e outros profissionais participantes foram baseadas em
questionário originalmente elaborado pelo Dr. José Quinones, consultor
da OPAS, posteriormente adaptado pelo autor deste informe para sua aplicaçáo no Brasil e acrescido de 10 perguntas referentes aos conteúdos e
aspectos básicos da programaçáo das residnricias. O questionário, originalmente
composto de 28 perguntas, com este acréscimo e algumas subtraçoes
consistiu, finalmente, em 35 perguntas (Anexo 1).
As respostas a cada ítem do questionário, obtidas durante as entrevistas,
iam sendo escritas por mim e imediatamente submetidas a apreciaçáo dos
entrevistados. Apenas pequenas alteraçoes de redaaáo foram feitas posteriormente.
O questionário dividiu-se em 4 partes: a primeira referente a aspectos
conceituais; a segunda á prática da Medicina Familiar no país; a terceira á
formacáo do pessoal médico em Medicina Geral Comunitária (nome oficialmente
adotado pela Comissao Nacional de Residéncia Médica (CNRM) o
qual deve ser considerado, neste informe, como sinónimo de Medicina
Familiar); e a quarta referente á programaçáo de cada residencia.
Os capítulos que se seguem obedeceráo a esta mesma orientaçáo e ordem.